Mar Vermelho II

Quando falta palavra ao poeta
O assunto é abstrato demais
Um desenho sem curva e sem reta
Pra ilustrar um momento sem mais.

Era o breu que nada me dizia,
Era o branco que tudo escondia,
Era o rubro do adorno perfeito,
Eram cores por sobre meu peito.

As ideias que tanto vieram
No tempero que nunca provei
Pelo próximo dia esperam
Pra voar como eu mesmo voei.

A sua vida você me contou
Da sua vida passei fazer parte
Inebriado ainda eu estou
Tanto que faço toda esta arte.

Pensei que tocaria no mar
Porém fui vítima do oceano
Só me restou contigo remar
E esperar outra chance este ano.

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Foto por mellamed em Pexels.com

Incerto de que sou

Talvez eu nunca aprenda de verdade a ser calmo, pois continuo emulando esse jeito de ser, sempre combatendo essa natureza ansiosa que deseja pra agora uma vida inteira sem saboreá-la no ritmo da frugalidade.

Talvez eu compreenda um dia o que é ser eu mesmo sem me preocupar demais em se haverá o dia de amanhã.

Talvez o meu mapa astral um dia me dê folga e livramento, para que eu não mais me enxergue como um produto do meio.

Talvez um dia eu só me preocupe com meus sonhos e com o hoje, vivendo-o com naturalidade e sabedoria.

Talvez um dia eu escreva sobre isso com propriedade e consciência.

Talvez um dia você me leia e acredite. E tomara que eu acredite em mim antes mesmo de você.

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Salmo da Revisita

Se você se sente sozinho, torne-se o seu melhor amigo. Ame ser quem é, não necessariamente ame-se.
Se você se sente triste, faça do mundo uma enorme piada. Produza felicidade.
Se você se sente fraco, lute pelos seus ideais; se ainda não os tem, conheça-os.
Se você se sente mal, faça o bem.
Se o seu arredor lhe acua, faça arte e o transforme. Deixe sua marca.
Se tem dúvidas sobre quem é e o que procura, viaje. Procure o canto do mundo em que su’alma lhe espera para a comunhão.
Insatisfeito? Calcule o preço dos seus sonhos. Pague e tome-os para si. Ponha-os como as renas do seu trenó e voe.
Está feliz? Recomece, mas não esqueça de dançar.

https://pixabay.com/en/woman-rice-green-countryside-1822453/

Uma Pedra E Um Lugar Distante

O que é uma pedra num lugar distante?
Um objeto ermo.
Algo longe do contato.
Alguém sem o que ou quem procura.
Eu sem você.
Um tesouro cujo mapa foi destruído.
Plutão.
Um condenado na solitária.
O verso sem leitores.
A paz após o apocalipse.

O que é um lugar distante para uma pedra?
Um habitat momentâneo.
Qualquer lugar que a gravidade não lhe ajude a cair naquela direção.
Um refúgio.
O bem que se quer ao alcance de uma longa viagem.
Uma aterrissagem.
Um dia qualquer ou toda a eternidade.
A Terra para os aliens. E vice-versa.
O devaneio criativo quando me falta inspiração.
A prosopopeia sem propósito.

Você me faz ser surrealista.

https://pixabay.com/en/sea-coast-rock-waters-landscape-3203513/

Arquivo: Aquela árvore

Ao rever essa composição, percebo que, por muitas vezes, exerço auto-clarividência nos meus versos. Aproveitem.

Paulino Solti

À sombra de um pé de razão
Escondo um coração doído
Doido, feito selvagem alazão
Faminto por seu beijo evadido.

Cada folha que dela cai
É um pedaço de saudade
Verde, como filhote sem pai
Leve na porção que se evade.

Você plantou uma semente
Que germinou e deu fruto:
Um poeta incandescente…
…um amor indissoluto.

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Um brega pra distrair

Você sumiu após tantas promessas
E não ligou de mandar um recado
Que atitudes são essas?
Por que me deixa largado?

No seu vazio eu declamo
Mas ninguém pega o sentido
Ao mesmo tempo em que reclamo
Quero esconder meu gemido.

Assim você me destrata,
Vende caro seu cumprimento;
Insisto e pago essa prata
Pois é pior se só lamento.

Talvez eu seja um vassalo
Querendo o feudo na mão
Mas não posso devassá-lo;
Barco só tem um timão.

https://kaboompics.com/photo/4429/handsome-young-man-having-a-whiskey-in-a-pub

Supernova

Nestas curvas o atrito é inimigo
Pois me levam para perto de você
A inércia quer me ver junto contigo;
A razão quer me impedir de perecer.

Por que raio esta órbita escolhi?
Eu não posso gravitar neste planeta
Há muitos satélites girando ali
E eu nunca fui além de ser cometa.

Num espaço tão imenso e abrangente
Essa força é que atrai a minha massa:
Se colido, sumo imediatamente;
Se resisto, outra lua lhe faz graça.

E se você for apenas uma estrela
Ofuscando um buraco negro à frente?
E se eu for supernova que, ao vê-la,
Se amedronta com seu brilho imponente?

https://pixabay.com/en/space-deep-space-galaxy-nebula-2638126/

Autobiográfico XVI / Ermita

Sozinho eu venço batalhas;
Batalhas venço solitário;
Encontrando mais e mais falhas,
Aguardando o próximo páreo.

Amigos não trago pra luta
Pois são dos meus tempos de paz;
A guerra tem causa fajuta;
Eles são, por muito, reais.

Viver, de qualquer jeito, é duro
A mente é sempre insatisfeita
Penso, solitário, no escuro:
Que mal estará na espreita?

Que bem a sorte me promete?
Que jeito o acaso dará?
Que louco sabe o que conserte
O peito de quem sofrerá?

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Sertão

Sertão

Eu não resisto a certas coisas que o Leo faz…portanto, divirtam-se.

Prosas e Cafés

Você não nasceu pra ser minha assim como não nasci pra ser seu, todavia carregamos uma característica comum: o vazio da alma. Uma sede inconstante que nenhuma alegria sacia, um inconsciente desidratado que se arrasta dia e noite pelo deserto. Sem satisfação, sem remédio, sem descanso. Preenchemos nossos vazios habitando as areias um do outro ocasionalmente. Um fim de semana ali, um feriado acolá. Você é o meu oásis das noites mais difíceis e também uma miragem que se desmonta ao longe, logo que vou embora, carregada pelas tempestades cotidianas.

Carrego esse vazio desde garoto, essa alma infrutífera, essa falta de sabe-se lá Deus do quê. Na época sonhava com um tempo de reflorestamento, que no futuro alguém chegaria para semear e trazer a flora necessária. Vidas, alegrias, músicas, cheiros, minúcias… saciação constante. Esse tempo nunca chegou e de tanto procurar, acabei desistindo dele. Até que certa feita, numa tarde…

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Sete Letras Que Me ‘Mata’ É Saudade

Leonardo Veiga, do Prosas e Café, um escritor maravilhoso, me deu a ideia para os dois primeiros versos.
O título é um verso cantado em “Saudade”, canção do Trio Nordestino, de 1967.

Por favor, não me dê mais saudade
Porque meu peito é cheio d’ocê
Sua falta é calor que me arde;
Venha aqui pra eu arrefecer.

É mentira; aí que eu inflamo!
De febril eu passo a ensopado;
Se só quero, vou dizer que amo;
Se silvestre, serei cativado.

Ê saudade que o homem delira,
Diz besteira, conversa com o vento,
Esperando pra dar uma gira
Com quem ele mais quer no momento.

Ah que falta de amar mais ainda!
E de você, que tudo povoa:
Pensamento, que nunca se finda;
Ideal, pro meu ser, de pessoa.

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