Cantada às avessas

Cantada às avessas

Você quer um poema, e não o poeta;
Você quer inspirar sem conviver;
Não vê que o troféu não faz o atleta;
O atleta é quem faz por merecer.

Você trata o poeta feito fruta
Descasca, morde, joga o resto ao chão;
Não vê que a poesia bem lhe escuta
E eternizará sua condição.

Entenda que arte não é produto
E artista não é máquina de texto
Se você quer ser tema, dê tributo,
Dê mais valor e arrume outro pretexto.

Se quer saber, eu não preciso disso;
Eu não preciso nem ser o que sou;
Eu sou um artista sem compromisso;
Você é um vento que já passou.

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Palavras de Paraninfo 2017.1

O professor Cláudio Amorim foi meu orientador em trabalho de conclusão de curso, mas também o é na vida, com palavras tão sábias e indubitáveis. Leiam esta lição de vida e renovem seus corações.

Cláudio Amorim

Nota preliminar:
O presente discurso, ligeiramente adaptado, foi proferido na formatura da turma de Sistemas de Informação 2017.1 da UNEB – Campus I, em 28 de julho de 2017, da qual tenho a honra de ser paraninfo. Deixo de fora, por desnecessárias, as saudações protocoladres. Por outro lado, reitero os agradecimentos aos Afilhados que, generosamente, obrigaram-me a escrever o texto e estimularam-me a publicá-lo.

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Queridos novos bacharéis, doravante meus Afilhados,
Ikaro, Iris, Jailton, Lorena e Rylan,

Obrigado por estarem aqui e por me permitirem celebrar com vocês, dirigindo-lhes a palavra nesse dia cerimonial.

Senhoras e Senhores,
Estimados Jovens,

Saudações fraternais; saudações cidadãs; saudações acadêmicas: a minha saudação, hoje, é também um apelo à resistência.

Saudações fraternais, eu disse. Mas a fraternidade anda escondida, quando não esquecida. Permanece viva, ainda assim, nas pessoas que saem de si para irem ao encontro das demais, socorrendo, amparando e instruindo. Porque há quem…

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Ubíqua

Olhe, você me perturbou o quanto pôde sem me dizer um oi, invadiu meus sonhos sem pedir licença, brincou com meus sentimentos sem me dar o “sim”. E eu fico como nessa história?

Sem você.

Eu me perco feito um doido, esbravejo igual marido traído, esperneio como criança. Afinal você tomou o molde da minha cabeça, ocupou os espaços, fez-se dona de mim sem sequer começar a me amar. E eu fico como nessa história?

Com você.

Eu tento lhe esquecer em vão, eu me culpo por gostar de você, eu jogo fora as referências…tudo isso pra acabar tendo você ainda mais forte no pensamento, pois fotos e vídeos nunca serão tão fortes e duradouras quanto as sinapses do meu cérebro, que lhe conservam como o barril de carvalho ao vinho. E eu fico como nessa história?

Escrevendo histórias a seu respeito…

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Arredia

É de longe que eu lhe tenho
Pois a vida assim deseja
Mas se vale o meu empenho
Aqui estou pra que me veja.

Seu sorriso é só um instante
Na mesma fotografia
Que mesmo estando distante
Revisito com alegria.

Mas você tem algum medo
Que esconde na atitude
Essa pose é arremedo;
Esse aterro é só o talude.

Uma coisa eu lhe aconselho:
Não deixe o tempo passar
Amor bom é o do espelho
Mas o meu também, quiçá…

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Infidelidades

Infidelidades

Leonardo é um cara cujas histórias eu não perco…uma igual a esta então…

Prosas e Café

Rio de Janeiro

Paulo (ou Paulão para os íntimos) tem 37 anos de idade, é casado e não possui filhos. Ele é negro, alto, forte e anda com uma cara de poucos amigos. Tem uma tosse chata, mas não é fumante. Anda rápido, mas puxa um pouco a perna. Na noite em questão, estava voltando pra casa. Tinha acabado de descer do trem e seguiu caminhando até o fim da estação, fez uma pequena pausa e pôs um dos pés no banco de madeira a fim de amarrar o cadarço. Não me recordo o nome da estação, “Parada de Lucas” talvez. Ele não pertencia as comunidades dali, contudo sua residência ficava num bairro próximo. Após arrumar o tênis, regrediu para a rota padrão de casa. Na escadaria, puxou o celular e deu um toque para a esposa, Maura. Queria saber o que tinha pro jantar. O dia foi puxado, o…

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Pai Nosso / Mãe Nossa

Enviai, Senhor, operários para a nossa messe
Pois a Vossa é grande e levou os melhores operários.
Escutai, Senhor, a nossa humilde prece
Pois a dor só cresce em meio aos proletários.

Que fazer de um mundo que só consome
Quando ainda há fome em tantos rincões?
Como pedir por quem não tem nome
E não acha emprego nem se junta aos ladrões?

Pai, retorna, ensina-nos de novo
Perdidos estamos após dois milênios
Os escritos não bastam ao povo
Pois quem governa fez-nos das letras abstêmios.

Pai, retorna-nos ao Vosso seio
A Terra está de escanteio por essas corporações
Cansei de ver os fins pelos meios
E o sangue dos irmãos separados em nações.

Mãe, cadê nosso Pai?
Foi ele mesmo quem a isso permitiu?
Mãe, eu acho que Ele nos trai
Pois nos condena a este mundo tão hostil.

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Obscuro

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Eu procuro entender o seu jeito
Mas é perda de tempo; admito
Eu preciso tocar seus defeitos
Pra poder desvendar os seus mitos.

Você faz que não joga esse jogo
Minhas fichas em você estão
Enquanto você não negar fogo
O cassino rodará o botão.

Na galera, você é corrente
No seu canto, parece um navio
De um lado, agrega essa gente
E do outro, quer mais desafio.

Esse beijo que mata os ingênuos
É desejo de qualquer poeta
Esse sonho em lábios pequenos
Deixa qualquer pessoa inquieta.

Você sabe ler nas entrelinhas?
O roteiro proposto foi lido.
Se você entende as manhas minhas
Vai pensar que faz todo sentido.

Se você procura melhor sorte
Que ao menos lhe sirva o agrado
Pra banhar todo esse belo corte
Que do Eden saiu consagrado.