Arquivo: Aquela árvore

Ao rever essa composição, percebo que, por muitas vezes, exerço auto-clarividência nos meus versos. Aproveitem.

Paulino Solti

À sombra de um pé de razão
Escondo um coração doído
Doido, feito selvagem alazão
Faminto por seu beijo evadido.

Cada folha que dela cai
É um pedaço de saudade
Verde, como filhote sem pai
Leve na porção que se evade.

Você plantou uma semente
Que germinou e deu fruto:
Um poeta incandescente…
…um amor indissoluto.

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Um brega pra distrair

Você sumiu após tantas promessas
E não ligou de mandar um recado
Que atitudes são essas?
Por que me deixa largado?

No seu vazio eu declamo
Mas ninguém pega o sentido
Ao mesmo tempo em que reclamo
Quero esconder meu gemido.

Assim você me destrata,
Vende caro seu cumprimento;
Insisto e pago essa prata
Pois é pior se só lamento.

Talvez eu seja um vassalo
Querendo o feudo na mão
Mas não posso devassá-lo;
Barco só tem um timão.

https://kaboompics.com/photo/4429/handsome-young-man-having-a-whiskey-in-a-pub

Supernova

Nestas curvas o atrito é inimigo
Pois me levam para perto de você
A inércia quer me ver junto contigo;
A razão quer me impedir de perecer.

Por que raio esta órbita escolhi?
Eu não posso gravitar neste planeta
Há muitos satélites girando ali
E eu nunca fui além de ser cometa.

Num espaço tão imenso e abrangente
Essa força é que atrai a minha massa:
Se colido, sumo imediatamente;
Se resisto, outra lua lhe faz graça.

E se você for apenas uma estrela
Ofuscando um buraco negro à frente?
E se eu for supernova que, ao vê-la,
Se amedronta com seu brilho imponente?

https://pixabay.com/en/space-deep-space-galaxy-nebula-2638126/

Autobiográfico XVI / Ermita

Sozinho eu venço batalhas;
Batalhas venço solitário;
Encontrando mais e mais falhas,
Aguardando o próximo páreo.

Amigos não trago pra luta
Pois são dos meus tempos de paz;
A guerra tem causa fajuta;
Eles são, por muito, reais.

Viver, de qualquer jeito, é duro
A mente é sempre insatisfeita
Penso, solitário, no escuro:
Que mal estará na espreita?

Que bem a sorte me promete?
Que jeito o acaso dará?
Que louco sabe o que conserte
O peito de quem sofrerá?

https://pixabay.com/en/walk-landscape-trees-sun-sky-man-445272/

Sertão

Sertão

Eu não resisto a certas coisas que o Leo faz…portanto, divirtam-se.

Prosas e Café

Você não nasceu pra ser minha assim como não nasci pra ser seu, todavia carregamos uma característica comum: o vazio da alma. Uma sede inconstante que nenhuma alegria sacia, um inconsciente desidratado que se arrasta dia e noite pelo deserto. Sem satisfação, sem remédio, sem descanso. Preenchemos nossos vazios habitando as areias um do outro ocasionalmente. Um fim de semana ali, um feriado acolá. Você é o meu oásis das noites mais difíceis e também uma miragem que se desmonta ao longe, logo que vou embora, carregada pelas tempestades cotidianas.

Carrego esse vazio desde garoto, essa alma infrutífera, essa falta de sabe-se lá Deus do quê. Na época sonhava com um tempo de reflorestamento, que no futuro alguém chegaria para semear e trazer a flora necessária. Vidas, alegrias, músicas, cheiros, minúcias… saciação constante. Esse tempo nunca chegou e de tanto procurar, acabei desistindo dele. Até que certa feita, numa tarde…

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Sete Letras Que Me ‘Mata’ É Saudade

Leonardo Veiga, do Prosas e Café, um escritor maravilhoso, me deu a ideia para os dois primeiros versos.
O título é um verso cantado em “Saudade”, canção do Trio Nordestino, de 1967.

Por favor, não me dê mais saudade
Porque meu peito é cheio d’ocê
Sua falta é calor que me arde;
Venha aqui pra eu arrefecer.

É mentira; aí que eu inflamo!
De febril eu passo a ensopado;
Se só quero, vou dizer que amo;
Se silvestre, serei cativado.

Ê saudade que o homem delira,
Diz besteira, conversa com o vento,
Esperando pra dar uma gira
Com quem ele mais quer no momento.

Ah que falta de amar mais ainda!
E de você, que tudo povoa:
Pensamento, que nunca se finda;
Ideal, pro meu ser, de pessoa.

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Tira-teima

Tira-teima

Um conto em duas partes…maravilhoso; vale cada linha.

Prosas e Café

O despertador de emergência tocou de novo, eu não aguentei e joguei o celular na parede, depois me levantei, fiz um pouco de café e fui até a sala assistir TV. Assim que liguei o primeiro canal era o do gado, agachei-me procurei o controle em todos os cantos, encontrei-o atrás do vaso de plantas. Comecei a trocar os canais… Era uma manhã de terça, não havia nada de muito bom. Uma velha ensinando a cozinhar carneiro, o jornal matinal, esportes olímpicos, um indiano ensinando yoga e o penúltimo canal era evangélico. Toquei no botão de avanço por mais uma vez, “Só restou você”, disse a mim mesmo. Menos mal, estava dando desenho, aumentei o volume e deixei rolar. Retornei ao quarto, abri o guarda-roupas, revirei minhas gavetas e peguei uma pomada cansada de ser exprimida. Sentei no sofá, coloquei o café sobre a mesinha da sala e…

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