Elevação

Não sei nadar. Mas o fundo dos seus olhos é uma piscina em que mergulho sem medo. Ora, nestas águas não se rema, se flutua.
Sou retraído em meio à multidão; eu me perco facilmente entre barulhos e sinais luminosos. Mas basta você estar nele para que eu tenha foco e direção. Ou não. Fico ainda mais perdido, porque você é a minha extrapolação, o meu transcender.
No entanto, perder-se além do comum é o que desejo; se quisesse mais do mesmo, bastaria um espelho no teto do quarto para devanear. Nada disso. Você é a lembrança de que, em algum momento da vida, eu decidi tomar um rumo, pois o meu já não era suficiente. Decidi tomar seu rumo emprestado, e lhe mostrar o meu.
Ah, o espelho! Quando me vejo no espelho, vejo um quadro de Dalí. Mas, se você toca meu rosto ou minhas mãos, ganho proporção áurea, viro um tema de Da Vinci ou Michelangelo. O seu abraço abre as minhas costas, e dos sulcos surgem asas. O teu beijo é o maçarico que faz o sangue comburir. Por fim, sou um ser mitológico, capaz de superar qualquer feito homérico.
Quem sou eu sem você? Os meus defeitos. Quem sou eu com você? Defeitos com um propósito. Quem sou eu por você? O hoje. Por que sou por você? Porque existo. Até quando? No final eu te conto.

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