Desafio das palavras: O sorriso que me mata (a versão dele)

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Você me lembra o primeiro soco que levei na vida.
Desde a infância, os garotos são incentivados a competir, nas mais diversas formas, sejam as sofisticadas, como os jogos lógicos, sejam as primitivas – lutas.
Nesta última, estávamos eu e um amigo frente à frente, amizade à parte, cercados por vários outros a gritar e pular, como se fôssemos uma tribo de primatas menos evoluídos. A testosterona faz isso.
Diante de um amigo, nossa força é tímida; “por que estamos aqui mesmo?”, me perguntei. Mas o soco surgiu assim mesmo, após a plateia inflamada pedir entretenimento. E senti, pela primeira vez, um soco de supetão.
Assim sou eu toda vez que você sorri pra mim. Uma surpresa insustentável, de cair pra trás. Mas eu me sustento com as forças que restam. A testosterona faz isso.
Esse sorriso mistura lavanda e cafeína; rosas e guaraná. É tão doce quanto estimulante.
Assim como na roda que se formou em torno da briga inventada, eu me vejo atordoado pelo estímulo externo, aqui vindo da sua expressão facial.
Seu riso é uma profusão de graça na forma de um furacão, cujo olho me cerca, cujas trovoadas fazem barulho na minha mente.
Quando conversamos, eu faço tudo que posso pra lhe entreter e alegrar…e um suspense faz o chão tremer…”será que ela vai gostar?” E as placas tectônicas só se ajeitam quando você dá o sinal sob a forma de tigela. Uma tigela na qual desejo derramar beijos mais que qualquer coisa neste mundo.
Quando estou longe de você, os olhos fechados abrem a porta da imaginação. E viajo pelo universo do meu pensamento a lhe buscar…e seus lindos olhos negros, misturados ao céu, lhe escondem, mas seu sorriso alvo é visível de qualquer ponto da galáxia.
Se o seu sorriso falha, eu viro polícia, corpo de bombeiros, forças armadas na missão de resgatar a soberania do reino do amor que defendo; quem sou eu sem tua alegria? Nada além de uma busca incessante por restaurar a ordem e a tranquilidade presente no teu riso leve e marcante, que me faz viver.
Depois da briga, levados a autoridade competente, choramos de medo e nos abraçamos, como amigos de sempre. E nunca mais aprontamos uma daquela.
Depois do seu sorriso, eu sou outra pessoa, uma fênix. Morto e renascido, revigorado, pleno de vida e motivado para recomeçar, mas com o desejo de que todas as vidas tenham algo em comum: a presença do seu sorriso a me rebatizar.

Paulino Solti x Camila Barretto

“Desafio das palavras” é um jogo proposto, com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Dois poetas, cada um com seu olhar sobre o tema/título.

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