Desafio das palavras: O sorriso que me mata (a versão dele) (lado B)

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No paraíso, eu converso com São Pedro enquanto espero os trâmites para adentrar o recinto.
– O senhor viu aquilo?
– Vi sim. Você não é o primeiro nem será o último.
– Puxa vida, eu nem sei o que aconteceu.
– Não? Mas estava ali, bem na sua frente!
– Então foi ela?
– Sim, meu filho. Daqui a pouco você verá muitas outras vítimas que podem lhe confirmar a história.
Supostamente, há um tanto que o coração humano consegue aguentar o sorriso daquela criatura. E eu atingi a cota sem aviso prévio. A verdade é que ela nem precisava sorrir para provocar o meu sorriso. Ela só precisava ser, como ainda o é.
Eu já fiz inúmeras reflexões sobre a maravilha que é essa pessoa, mas fazê-la sorrir era uma necessidade, um prazer instintivo. Só não sabia que era perigoso.
Ela foi alguém tão próximo e tão distante que, em minha vida, trouxe tantos bons adornos e motivos ao meu dia. Logo, eu queria retribuir todo seu bem como eu podia: lhe dando qualquer alegria que eu encontrasse em minh’alma. E acredito ter feito isso.
– Uma pena, não é? Quem sabe por aqui você não consegue.
– O senhor acha?
– O amor está no ar, não necessariamente na Terra.
Eu enxergava seu âmago: um quadro de cores quentes e vibrantes. Seu íntimo é uma pedra de âmbar brilhante, que me atraía, principalmente nos dias escuros, tamanha a luz que emite. E, o seu sorriso era reflexo do brilho mais intenso daquela pedra interna. Estrelas, fabricantes do seu próprio brilho, são um mistério fascinante. Ela é uma estrela.
– Mas a ponto de morrer?
– O que diferencia o soro do veneno é a dose, meu filho.
E a distância. Neste dia, ela sorriu pra mim. Só pra mim. A menos de um metro. Infarto fulminante. Mas também, que melhor jeito de morrer do que diante da sua amada, no momento em que lhe dedica uma canção de ninar?
Não houve sequer tempo para responder a este ataque súbito e fatal. Só pude esboçar um sorriso de volta e estender-lhe a mão, como quem tenta não ser arrastado para o precipício. Ironicamente eu subi.
E, daqui de cima, eu não vejo mais o céu, mas outro; ao invés de bilhões de astros como pequenos pontos, eu enxergo claramente aquela mesma estrela, com ainda mais destaque sobre todas as coisas.
– Terei que pedir perdão por essa, não é?
– Está no primeiro mandamento, oras.
Morrer de amor é o sonho de todo poeta, pois assim morre trabalhando, fazendo o que gosta. Amor a arte e a suas inspirações, como aquele sorriso pelo qual eu sonho ver por aqui em breve, correndo o risco de apenas provocá-lo até o fim dos tempos.

Lado A: clique aqui.

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