Desafio das palavras: Fora do campo de batalha em plena guerra (a versão dele)

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No começo, deram-me vestes, depois armas, por fim as táticas. E disseram “vá e lute!”.
Alinhado aos demais da tropa, apontei na direção dos inimigos e gastei toda a munição que tinha.
Ao dispersar da poeira, os inimigos abatidos: o colégio, o vestibular, o diploma, o concurso.
E, de volta ao lar com uma medalha no peito, me perguntei: por que estou aqui? Por que luto?
A vida me deu muitas chances, porém pouco talento. Nas chances, o que me sobra é lutar; no talento, o que quero é me expressar.
Um soldado que sobrevive a última guerra não deseja voltar à fazenda cujo grão plantado é a morbidez da fúria cotidiana. Ainda mais aquele que carrega a bandeira branca.
Assim sou: um ser que preza pela abnegação, pois competir não me diz respeito nem me faz sentido.
Enquanto o mundo espera pelo próximo iPhone, eu espero o iFome, no qual uma ligação ou mensagem de texto sacie a fome de quem nem sabe o que é um iPhone. Enquanto o mundo adere ao Pokemon go, eu adiro ao “Just go”. “Apenas vá” e faça a paz ao seu modo.
Meu mundo só tem valor quando eu devolvo aos irmãos tudo o que conquistei nas batalhas passadas. Meu futuro só tem perspectiva quando tenho valores éticos e filosóficos a deixar aos vindouros.
Este é um tempo em que poucos querem alimentar o espírito na busca do bem comum; não desisto: como Gandhi, minha verdadeira batalha também é pacífica, desarmada e fora do eixo. A vitória é meramente protocolar; os companheiros do caminho é que farão a luta ser real.
Quem observar atentamente, verá escritos nas minhas feridas e direções na minha armadura. Os escritos indicam porque me entreguei, e a armadura dirá por onde ainda não passei.
O meu sucesso depende de que eu me desmonte e me entregue ao adversário na batalha do convencimento: vencer junto, “vencer com”. Um complexo desmontado se revela simples para o outro se remontar.
O meu sucesso depende do “pra onde vou depois daqui”. Sem objetivos, o homem é uma planta: nada senão uma microusina no planeta.
Desmontado, remontado e rumo ao desconhecido. O coração de um poeta abnegado vive suas próprias batalhas, em seus próprios campos, num mundo que poucos sabem como chegar. Se chegarem, aderirão a infantaria feito abelha no mel, pra ver que o mundo real não é meio, mas o motivo do além.

Paulino Solti x Camila Barretto

“Desafio das palavras” é um jogo proposto, com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Dois poetas, cada um com seu olhar sobre o tema/título.

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