Desafio das Palavras: “Permissão: quando eu disse um ‘sim’ pra mim” (a versão dele)

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Um dia, depois de muito repudiar a carapuça, eu a vesti.
Muito afeito aos ensinamentos de infância, procurei andar na linha o quanto pude. Mas, a partir de certo momento, nada disso me serviu. Se o juiz te acusa, quem és tu perante a lei?
Nem sempre quem te ensina cobra o mesmo assunto na prova. Aí você vira um mero espectador da tragédia. Mas nessa, eu aprendi uma lição nova.
Ser humano é extrapolar(-se). É se dar novos objetivos quando outros foram alcançados, é nunca se dar por satisfeito, pois satisfação é conformidade, é estagnação.
Permitir-se experimentar o que instiga pode trazer (e trará) um dia completamente novo em sua vida. Quando fiz isso, escrevi uma nova página no meu livro de contos, que leio para os benquistos.
Ser humano é criar, é ter um pouco do poder divino em suas mãos quando é hora de curar uma doença, de dar o drible decisivo, de dizer a palavra de ordem, de mostrar um novo caminho. É digerir o pedaço da maçã que Eva deixou em cada um de nós.
Então, por que se privar do mundo, se ele que te criou? Ele espera a sua contrapartida.
Eu me permiti assumir uma personalidade introspectiva, porém aberta a todos que quiserem receber o bem que um poeta/curioso/louco/sonhador/professor sabe proporcionar. Eu me permiti ser multifacetado, pois sou uma crise de personalidade: nunca me encontrei, portanto a minha vida é uma busca pela minha identidade.
Ao longo da jornada, acho peças do meu quebra-cabeça, cacos da minha máscara quebrada. Mas as peças não se encaixam e os cacos não se grudam; estou mais para uma colcha de retalhos: colorida e sem significado latente. Porém, cada quadra guarda uma sentença; quem quiser que leia.
Porém tem sido no campo das palavras que tenho visto quem sou: alguém que racionaliza muito sobre as próprias (e alheias) emoções. Há quem bem lide com o que sente; há quem sente muito sobre o que lida. Estou no segundo grupo, e não me interesso em fazer o caminho inverso. Minha essência é o átomo de Dalton: indivisível e imutável. Minha história é a caixa do ilusionista: um espaço negro do qual a fantasia brota eventualmente.
Desta forma, sigo escrevendo muito mais do que antes de me reconhecer, para me afirmar, para me recordar do que sou e do que preciso ser. Preciso ser poeta, deixar o mundo ser o que é, e transformar o meu mundo: aquele em que minhas aspirações pairam na atmosfera, e, coincidentemente, se chocam com a nossa camada de ozônio, permitindo aos leitores interagir com o ar da minha graça.

Paulino Solti x Camila Barretto

“Desafio das palavras” é um jogo proposto, com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Dois poetas, cada um com seu olhar sobre o tema/título.

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