Desafio das palavras: Os cinco amores que nunca esqueci (a versão dele)

O primeiro.
Tudo são flores no primeiro entre os amores. Todo dia é colorido; não há tempo dolorido.
A verdade não importa; bom é vê-la após a porta. Tanto amor foi represado; não serei mais desprezado.
De mãos dadas, um casal…um roteiro sem final…
Um dos dois do sonho acorda; violão partiu a corda…
O “outro” perdido fica, pois o “um” não lhe dá dica.
Um aprendeu a voar; o outro a levantar.
O que voa já fez ninho; o outro anda sozinho.
Eu ainda me tropeço, porém não em todo verso…
Pois o amor se dissolveu na recriação do eu.
§
O segundo.
Na longa esteira após o grande amor, veio aquele pra recomeçar, pra testar o aprendizado, pra entender se amor é bom mesmo. Sim, ele é.
Quando se encontra outro alguém que joga o jogo do amor correspondido, parece sorte demais. Tive tanta sorte, e tantas alegrias também. Mas este jogo ganha novos elementos quando se perde a inocência.
O verbo perder começou a ser conjugado no fim do primeiro amor, e aperfeiçoado nos demais…você começa a ser intolerante ao que não lhe agrada no outro, por mais que haja afinidade e química.
A vida segue, passa, cobra de você…e esperar que o outro acompanhe seu ritmo pode ser perigoso…eu não quis esperar, sabia que muito perderia; sabia que deveria ser honesto, mesmo que doesse; sabia que deveria dizer a coisa que acho certa, mesmo que o amor acabasse…toda dor causada por amor.
§
O quase ideal.
Ela existe. Ela é bela, algo indescritível na linguagem verbal. Ela me dá vontade de viver pra sempre.
Uma moça como poucas que já admirei…Uma alma que recebe a minha de braços abertos e que se expõe sem medo quando troca figurinhas. Uma alma gêmea.
Ela me reconhece, me admira, me quer bem. Eu a reconheço, admiro, quero bem, quero lhe dar o mundo…Mas ela ama outro alguém.
§
O próprio?
Tenho lapsos de amor próprio, porque não o conheço bem. Ainda que já tenha versado sobre o assunto, fui mais fabuloso que realista.
Mesmo assim, reconheço a sua existência e importância. Não é instinto de sobrevivência, é gostar de ser quem se é.
Neste aspecto, preciso aprender a gostar de como me reconheço: alguém de essência miúda e aspirações imensas. Sou raro, não sei se para o bem ou mal, mas há quem me aprecie e prestigie.
A cada dia que supero dúvidas e tropeços, acredito estar mais perto dessa segurança que é se amar, ser bastante, ser pleno em si mesmo.
§
O próximo.
Meu coração guarda uma reserva de esperança em relação ao amor. Depois daqueles já vividos, o desejo de continuar amando é perene e forte. De ser amado então, nem se fala…
No hiato entre amores, acumulo carinho, desejo e tantas coisas que só têm razão de ser com outra pessoa. E a próxima pessoa será como ganhador de loteria…um prêmio grande, só esperando o bilhete.

Paulino Solti x Camila Barretto

“Desafio das palavras” é um jogo proposto, com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Dois poetas, cada um com seu olhar sobre o tema/título.

https://pixabay.com/en/young-man-male-handsome-model-1515412/

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