Autobiográfico XIII / Vácuo

Meu amor é uma mentira,
Uma bala que não atira
Num alvo desconhecido;

É luz de estrela morta,
Medida de régua, torta,
Na cara do iludido.

Meu querer é mais um luxo,
Coisa que não enche o bucho
Quando a fome traz o frio;

Outro inócuo remédio
(Não é bom nem sequer médio);
Faz das lágrimas um rio.

Meu sentir não liga as peças,
Não me cumpre as promessas
De haver reciprocidade;

Estrada sem cruzamento,
Adulto sem seu rebento,
Prefeito sem sua cidade.

Meu pensar é chuva santa,
O que sobra à seca planta
Quando o resto não lhe irriga;

Ladeira que só se desce
No rumo de outra prece
Que se converte em cantiga.

https://pixabay.com/en/asphalt-countryside-empty-grass-1835525/

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