Salmo da Revisita

Se você se sente sozinho, torne-se o seu melhor amigo. Ame ser quem é, não necessariamente ame-se.
Se você se sente triste, faça do mundo uma enorme piada. Produza felicidade.
Se você se sente fraco, lute pelos seus ideais; se ainda não os tem, conheça-os.
Se você se sente mal, faça o bem.
Se o seu arredor lhe acua, faça arte e o transforme. Deixe sua marca.
Se tem dúvidas sobre quem é e o que procura, viaje. Procure o canto do mundo em que su’alma lhe espera para a comunhão.
Insatisfeito? Calcule o preço dos seus sonhos. Pague e tome-os para si. Ponha-os como as renas do seu trenó e voe.
Está feliz? Recomece, mas não esqueça de dançar.

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Uma Pedra E Um Lugar Distante

O que é uma pedra num lugar distante?
Um objeto ermo.
Algo longe do contato.
Alguém sem o que ou quem procura.
Eu sem você.
Um tesouro cujo mapa foi destruído.
Plutão.
Um condenado na solitária.
O verso sem leitores.
A paz após o apocalipse.

O que é um lugar distante para uma pedra?
Um habitat momentâneo.
Qualquer lugar que a gravidade não lhe ajude a cair naquela direção.
Um refúgio.
O bem que se quer ao alcance de uma longa viagem.
Uma aterrissagem.
Um dia qualquer ou toda a eternidade.
A Terra para os aliens. E vice-versa.
O devaneio criativo quando me falta inspiração.
A prosopopeia sem propósito.

Você me faz ser surrealista.

https://pixabay.com/en/sea-coast-rock-waters-landscape-3203513/

Arquivo: Aquela árvore

Ao rever essa composição, percebo que, por muitas vezes, exerço auto-clarividência nos meus versos. Aproveitem.

Paulino Solti

À sombra de um pé de razão
Escondo um coração doído
Doido, feito selvagem alazão
Faminto por seu beijo evadido.

Cada folha que dela cai
É um pedaço de saudade
Verde, como filhote sem pai
Leve na porção que se evade.

Você plantou uma semente
Que germinou e deu fruto:
Um poeta incandescente…
…um amor indissoluto.

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Um brega pra distrair

Você sumiu após tantas promessas
E não ligou de mandar um recado
Que atitudes são essas?
Por que me deixa largado?

No seu vazio eu declamo
Mas ninguém pega o sentido
Ao mesmo tempo em que reclamo
Quero esconder meu gemido.

Assim você me destrata,
Vende caro seu cumprimento;
Insisto e pago essa prata
Pois é pior se só lamento.

Talvez eu seja um vassalo
Querendo o feudo na mão
Mas não posso devassá-lo;
Barco só tem um timão.

https://kaboompics.com/photo/4429/handsome-young-man-having-a-whiskey-in-a-pub

Supernova

Nestas curvas o atrito é inimigo
Pois me levam para perto de você
A inércia quer me ver junto contigo;
A razão quer me impedir de perecer.

Por que raio esta órbita escolhi?
Eu não posso gravitar neste planeta
Há muitos satélites girando ali
E eu nunca fui além de ser cometa.

Num espaço tão imenso e abrangente
Essa força é que atrai a minha massa:
Se colido, sumo imediatamente;
Se resisto, outra lua lhe faz graça.

E se você for apenas uma estrela
Ofuscando um buraco negro à frente?
E se eu for supernova que, ao vê-la,
Se amedronta com seu brilho imponente?

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Autobiográfico XVI / Ermita

Sozinho eu venço batalhas;
Batalhas venço solitário;
Encontrando mais e mais falhas,
Aguardando o próximo páreo.

Amigos não trago pra luta
Pois são dos meus tempos de paz;
A guerra tem causa fajuta;
Eles são, por muito, reais.

Viver, de qualquer jeito, é duro
A mente é sempre insatisfeita
Penso, solitário, no escuro:
Que mal estará na espreita?

Que bem a sorte me promete?
Que jeito o acaso dará?
Que louco sabe o que conserte
O peito de quem sofrerá?

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Sertão

Sertão

Eu não resisto a certas coisas que o Leo faz…portanto, divirtam-se.

Prosas e Café

Você não nasceu pra ser minha assim como não nasci pra ser seu, todavia carregamos uma característica comum: o vazio da alma. Uma sede inconstante que nenhuma alegria sacia, um inconsciente desidratado que se arrasta dia e noite pelo deserto. Sem satisfação, sem remédio, sem descanso. Preenchemos nossos vazios habitando as areias um do outro ocasionalmente. Um fim de semana ali, um feriado acolá. Você é o meu oásis das noites mais difíceis e também uma miragem que se desmonta ao longe, logo que vou embora, carregada pelas tempestades cotidianas.

Carrego esse vazio desde garoto, essa alma infrutífera, essa falta de sabe-se lá Deus do quê. Na época sonhava com um tempo de reflorestamento, que no futuro alguém chegaria para semear e trazer a flora necessária. Vidas, alegrias, músicas, cheiros, minúcias… saciação constante. Esse tempo nunca chegou e de tanto procurar, acabei desistindo dele. Até que certa feita, numa tarde…

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