Sobre as frustrações

“Vale à pena refutar todas as suas expectativas para evitar frustrações? Ou uma vida sem um mínimo de expectativas se torna um tanto vazia e cautelosa demais?”

Ser humano pressupõe propósito, pois o temos em praticamente tudo o que fazemos; quando não, é o instinto que atua. Assim sendo, as frustrações derivam de nossos propósitos na vida, o que inclui expectativas.

Desde que criamos (ou descobrimos) a noção do tempo, começamos a planejar o porvir, que pode não vir inclusive. As expectativas são criação nossa; podemos viver com ou sem elas, mas elas são inerentes a nossa natureza humana, complexa e criativa. Quero dizer com isso que, em alguma medida, precisamos de expectativas quando subimos na pirâmide das necessidades (uma vez bem alimentados, vestidos, seguros etc., resta alimentar as necessidades da mente, do espírito…).

Uma vida sem expectativas é: ou em total desesperança, quando estamos totalmente à mercê do que nos cerca, ou mal resolvida, quando nós não buscamos o nosso próprio sentido da vida, ou uma luta contínua, quando as circunstâncias são adversas, mas temos o mínimo de força para reagir.

Se não estamos em qualquer das três situações anteriores, devemos buscar nosso propósito nesta vida, e empregar nossos melhores recursos nisso. Piegas, claro, mas questões elementares pedem respostas no mesmo tom.

Nosso propósito é um num conjunto que varia entre um e aproximadamente sete bilhões (hoje, pois quantos seres humanos capazes já habitaram este mundo?). Assim sendo, o mundo é um enorme conflito em que nosso querer colide com outros “quereres” (linda música de Caetano; divago). Logo frustrações são esperadas obviamente. Porém o essencial não deve ser dado como desculpa quando se busca o supérfluo (perdoe-me a expressão, supérfluo em relação ao básico, o alimento, a roupa, a saúde etc.). A frustração, invariável e inexorável, virá no caminho de quem tem expectativa, como preço a se pagar pelo prêmio.

Fugir de suas expectativas é fugir de parte da sua essência humana, que tem propósitos, que vislumbra um caminho próprio em relação aos seus irmãos de espécie. É uma afronta àqueles que não podem mover-se por conta própria em direção aos seus sonhos, ou àqueles que já se foram sem ter tempo de perseguir seus objetivos enquanto aqui passaram. Frustrar-se é um dos termômetros da vida: quanto maior a frustração, maior foi a expectativa. Mas não se abale, pois só os maiores podem sonhar grande.

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Educação: meu desejo pessoal.

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Nós somos mal educados. Não me entenda mal. Nós somos um país que deseja ser nação, mas não se mune do necessário para isso: Educação. Com maiúscula, porque é este o tratamento que devemos dá-la.
Não preciso citar os vários problemas que nosso rico-pobre Brasil abriga e alimenta. Sim, por ignorância, comodismo, leniência e tantas outras causas, deixamos nosso país num patamar que só é invejável aos países que enfrentam um grande colapso em suas divisas, a maioria ex-colônias de exploração, como também fomos.
Recentemente as escolas e instituições de ensino superior começaram a ser ocupadas por seus usuários diretos: alunos secundaristas e universitários. Se alguém deseja vestir estes movimentos como vagabundagem ou coisa do tipo, vai esbarrar na pergunta: “se é pra vagabundear, porque logo na escola? Não seria melhor vagabundear noutro lugar?”
Pois, os alunos estão lá justamente por ser lá o foco da questão. É como infantaria defendendo a sua trincheira. Tal como as Forças Armadas brasileiras existem pela defesa do solo nacional, os estudantes querem defender a integridade e soberania de sua micronação.
Nem todos os pais estão presentes na educação de seus filhos, mas alguns poucos estão até ocupando as escolas junto de suas crias, pela importância da causa. É fácil manter-se alheio à questão quando se luta e se consegue dar ensino privado a sua prole. Porém a maior parte dos afetados pela má qualidade do nosso ensino está na rede pública. Assim, aqueles que concentram a maior parte da renda no Brasil são cegos como a figura que representa o conceito de Justiça? Alguns sim, outros não.
Somos mal representados. Votamos mal. Não fiscalizamos. Neste aspecto, o Brasil tem evoluído até mais que no século passado, com instrumentos para impedir candidatos condenados na Justiça, redes sociais, instituições fortalecidas. Porém, a raiz do bem comum, o cidadão, ainda é negligenciado, não só no assunto principal deste texto, mas na saúde, na segurança e nos diversos aspectos que influenciam na vida social.
Eu sinto desde sempre que a Educação é o remédio que precisamos, num país que vive de soros desde que se entende como tal. Vamos participar do dia-a-dia do ensino dado a nossos filhos; vamos ensiná-los a ser cientistas, a perguntar, a questionar se a verdade recebida é o melhor para todos nós; vamos nós mesmos questionar, e oferecer soluções. O Brasil está carente de soluções e pessoas que as patrocinem (seja com dinheiro, seja com atitude).
Eu tenho muito mais a dizer sobre Educação, como neto de educadora que sou, porém preciso estudar ainda mais.