Coletânea: Raridade / Acessório / Mantra da Amizade / O mundo segue girando

“Raridade”

Coisas raras prescindem atenção
Raras coisas raramente mais que são.
O que é raro só cativa o próprio nicho
Bicho, quando é raro, atrai sempre outro bicho.

Quadro negro se vazio nada diz
Quadro cheio deixa a turma infeliz
Monalisa já virou lugar comum
Mas o quadro novo não é apenas mais um.

“Acessório”

Eu sou só outra peça
Neste seu quebra-cabeça
Ainda não lhe interessa
Relembrar antes que esqueça
O valor de cada peça
E no sonho permaneça.

“Mantra da Amizade”

Deixa essa vida dar certo, rapaz
O que a gente precisa é de paz
Nem tudo que você vê acontece
Faz teu pedido, mandinga ou prece
Você já tem os seus próprios problemas
Deixe os demais com seus outros dilemas
Seja esse amigo que mostra o valor
Leva pro mundo o seu grande calor.

“O mundo segue girando”

Depois que te dei tudo
Quase não sobrou de mim
Tanto tempo fiquei mudo
Quando você nos deu fim.

Mas o que sobrou me diz
Que a vida continua
Melhor tentar ser feliz
Que ficar olhando a rua.

E assim contemplo o mundo,
Onde tudo me inspira
Vou num ritmo fecundo
Cada vez que ele gira.

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Coletânea: Acordo / Reflexão / Conversa com o divino / Outra perspectiva

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“Acordo”
Meu coração perdeu a pressa de voltar
E, desde então, ele não manda mais recado
A gente já não mais concorda, deixa estar…
Assim a gente se diverte um bom bocado.

“Reflexão”
Meus acertos não reparam
que erros são importantes
pois eles também separam
o que sou do que era antes.

“Conversa com o divino”
Sou um primata criado por Deus
Que fugiu do teto sistino
E por instinto genuíno
Foi pensar nos problemas seus.

“Outra perspectiva”
Não é a doença que tira meu sono, mas o doente.
Não é a fome que me entristece, mas o faminto.
A mentira não me enoja, mas quem mente.
Não é o ato que me provoca, mas o que sinto.

Coletânea: Sucraleiro / Do pó vieste / Off-Road

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“Sucraleiro”

As crianças ainda brincam num país em guerra
O amor ainda brota em meio à barbárie
Sem sorrisos todo bem e todo mal se encerra
Pois do doce do açúcar é que vive a cárie.

“Do pó vieste”

Juiz que come brioche
Não liga pra pão francês,
Faz do cidadão fantoche,
Faz de si belo burguês.

O homem que se assemelha
Descobre a mazela alheia,
Enxerga buraco em telha,
Quer toda barriga cheia.

“Off-Road”

Se seu futuro parece certo
Ele há de ser muito mesquinho
Um conselho de amigo eu oferto:
Viva o hoje e não morra sozinho.