Câncer

Saudações, oh! instigante criatura
Que transcende o meu viver vibrantemente,
Faz concreta a abstração com tal doçura
Conduzindo a paz igual um rio corrente.

Para se livrar da dor anda de lado
Assim desvia dos golpes desse mundo
Pois prover amor é seu único estado
Pois quero lhe dar amor neste segundo.

Seu sorriso é farto; é luz que nos convida
Todo dia esse presente está exposto
Feliz é quem testemunha isso em vida
Mais ainda é quem desfruta do seu gosto.

Coração que abriga o mundo sem usura
Mente ousada que aspira o infinito
Alma altiva, tão bonita que fulgura
Com seu brilho faz o mundo mais bonito.

Sua arma engatilhada é o perdão,
Seu remédio é o pensamento elevado;
É de transformar as coisas que lhe dão;
É de fazer do entorno o seu legado.

https://pixabay.com/en/crab-beach-sand-macro-closeup-1990198/

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À espera dum encontro

Amigos, obrigado por esperar.

Às voltas com teus problemas, eu te vejo
E me pergunto se deles faço parte
Penso no melhor discurso e no manejo
Para que meu carinho eu possa dar-te.

É como se não quisesses um começo
Pensando que sempre haverá um final
Razão tens se assim pensas, reconheço
Mas no caminho está a graça, afinal.

(Rodeios faço pois direto eu assusto
Sou simples num tempo em que o ego é Deus
Antropocentrismo? Antes fosse; era justo
Mas vamos parar com esses assuntos meus.)

Tu vens algum dia visitar teu berço
Senão eu visitarei a tua casa
Para te ver eu até rezo dois terços
Porque o melhor da vida bate asa.

Morena, a canção tá escrita; escuta
E segue o caminho do som até mim
Por causa de ti eu fiquei foi biruta
Querendo em teus cachos me perder sem fim.

https://pixabay.com/en/rainy-day-window-pane-boring-bridge-1119787/

Buraick

Tentei pedir sua autorização antes de publicar, mas não achei contato. Caso queira, removerei daqui.

Após o tecido, um coração pulsante
Por ver essa moça destilar grandeza
Meu peito por ela tremula no instante
Em que tudo nela revela beleza.

Beleza lhe parece o mais trivial
Quando se percebe a sensibilidade
Seus olhos buscam o absurdo normal
Que nós transformamos em banalidade.

Quando ela me mostra as agruras da vida
Eu só penso em lhe confortar num abraço,
Eu penso que você é minha medida
Eu penso se há o que por ti não faço.

O que tu me dizes é prece velada
Em meio às largadas por nossos irmãos
Mas você, eu sei, nunca será calada
Enquanto eu lhe oferecer minhas mãos.

https://pixabay.com/en/i-beg-your-pardon-marriage-proposal-927746/

Gangorra

Ela está a metros de distância
Mas machuca como se me agarrasse
Quisera eu mais relevância;
Quisera eu que ela me amasse.

Comedido, ofereço a mão
Ela sorri e devolve o gesto
Que mulher, meu irmão…
Que tesão indigesto…

É que ela é casada e eu não;
É que ela é esse grande senão;
É que me ensinaram a não cometer pecado;
É que dela eu quero muito: um bocado!

Ela vai embora pro resto do dia…
O resto de tudo me entedia!
E nós mal trocamos olhares
E iremos a diferentes lares.

https://pixabay.com/en/breakup-divorce-separation-908714/

Ensaio de Um Soneto de Amor

De quando Paulino ainda não existia.

O amor transcende em meu ser
como o sangue corre pelas veias;
fiquei submisso a ele sem perceber
tal qual a caça da aranha acoada nas teias.

Hoje uma musa me inspira
a fazer os mais belos sonetos passionais;
minh’alma queima em brasa numa pira
cuja chama quer arder cada vez mais.

Meus sonhos ficaram tão infantis,
até na dor sinto-me feliz…
penso que estou em plena loucura.

Para esse amor canta o sabiá e o colibri
por causa de ti, esse belo sentimento descobri
e, agora descoberto, ninguém mais o segura.

#arquivo

https://pixabay.com/en/feather-pen-defense-group-ink-1378026/

Atracadouro

Relembrando um tema condizente com este dia especial.

Paulino Solti

Para o dia de hoje.

De um lado, a enseada; do outro, o barco. Entre eles, o mar, o mundo.
Ela vê o barco sair para explorar o mar, e voltar para recomeçar. Ele sai para se encontrar, e volta para se reconhecer.
Ela lhe dá o casco, o mastro, as velas, o timão…e só lhe pede que navegue feliz.
Ele volta, trazendo mais amor e mais ventos do que havia na saída.
Oh enseada, uma vida que se multiplica; um acidente que acolhe os barcos que lhe deixam para ir tão longe e retornar como se nada houvesse acontecido.
Os barcos só compreendem a sua vocação quando se desconstroem e se transformam em novos portos e enseadas.
Feliz dia das enseadas.

https://pixabay.com/en/beautiful-young-pregnant-woman-1434863/

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Autobiográfico XV / Crítico

https://pixabay.com/en/clown-lonely-leave-sad-fantasy-2092079/

O palhaço ainda sabe fazer rir.

Meu coração é um desperdício
Otimista desde o início
Mendigando atenção.

Pobres átrios e ventrículos
Não cansam de serem ridículos;
Não pedem extrema unção.

Faço muito texto belo
Mas o sorriso é amarelo
Quando percebo a ironia.

És uma estátua de areia
Tão real quanto a sereia
Que surge na epifania.

Rico do ouro de tolo
Não tenho um pé de consolo
Que me dê satisfação.

O verso é confessório
O lamento é notório
Meus dias só são.

Eu busco um novo sentido,
Limpar o peito doído,
Rasgado em outra recusa.

Recusa que eu fomento
Ao insistir no alimento
Que fere quem muito abusa.

Sou uma pergunta sem resposta,
Oferta sem contraproposta,
Crime sem objeto.

Sou um louco desinternado,
Sou um morto desenterrado,
Sou um péssimo projeto.